Equipe:


Aurélio Giacomelli da Silva - Promotor de Justiça

Letícia Titon Figueira - Assistente de Promotoria

Ana Paula Rodrigues Steimbach - Assistente de Promotoria

Mallu Nunes - Estagiária de Direito

Giovana Lanznaster Cajueiro - Telefonista

Mário Jacinto de Morais Neto - Estagiário de Ensino Médio




segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Palhoça deve nomear aprovados em concurso para educação




O Município de Palhoça se comprometeu com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) a nomear e dar posse a 20 candidatos aprovados no concurso público para o cargo de Professor de Educação Especial. As nomeações deverão ser realizadas em 120 dias, contados a partir da última quarta-feira (10/12) quando a Secretária Municipal de Educação, Shirley Nobre Scharf, assinou o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo Promotor de Justiça Aurélio Giacomelli da Silva.

O Promotor de Justiça da 1ª Promotoria de Palhoça resolveu propor o acordo extrajudicial após apurar a falta de professores de educação especial para os estudantes da cidade. A Promotoria de Justiça identificou que, no mês de março de 2013, foi realizado concurso para preenchimento das vagas, porém apenas um dos 47 aprovados foi nomeado. O Promotor de Justiça apurou, ainda, que, em vez de dar posse aos candidatos aprovados, o Município promovia a contratação de Professores Admitidos em Caráter Temporário (ACTs).

A Promotoria afirma que a não nomeação dos candidatos aprovados em relação à contratação de profissionais temporários é injustificável. De acordo com o que se apurou, efetuando-se a nomeação de 20 (vinte) aprovados no Concurso Público para Educação Especial, será suprida, por ora, a carência de professores de educação especial.

Após as nomeações, o Município deverá informar ao Ministério Público se a nova quantidade de profissionais será suficiente no ano de 2015 para suprir o atendimento integral das crianças e adolescentes que necessitam de educação especial. Caso não suporte a demanda, a Prefeitura deverá chamar mais candidatos do concurso destinado para o atendimento dos estudantes ou abrir um novo certame para preenchimento das vagas.

O Professor de Educação Especial geralmente atua como professor auxiliar nas salas de aula ou, então, no contraturno no Atendimento Educacional Especializado (AEE) e, de acordo com a legislação vigente, a capacitação de tal profissional é imprescindível.

De acordo com o TAC, para não prejudicar a continuidade do serviço público, os professores em caráter temporário serão mantidos nos cargos até que todos candidatos sejam nomeados. No próximo ano, existe a previsão de que 42 professores efetivos atuem no Município e o número de contratados temporários diminua para 30. São 18 vagas vinculadas (substitutos dos efetivos/concursados nos casos de licenças/férias) e 12 vagas excedentes, estas últimas que serão devidamente reanalisadas no ano que vem.

Caso o acordo não seja cumprido, o Município de Palhoça estará sujeito à multa de R$30 mil por mês de atraso, com valor a ser revertido para o Fundo Municipal da Infância e Adolescência (FIA) de Palhoça.

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Redação: Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Prioridade absoluta para aprovação de projeto de lei que cria 20 cargos de educadores sociais para os abrigos institucionais de Palhoça - Celebrado Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta



IC - Inquérito Civil n. 06.2014.00011829-6

TERMO DE COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA, por intermédio do seu Órgão de Execução, representado pelo Promotor de Justiça Aurélio Giacomelli da Silva, o MUNICÍPIO DE PALHOÇA, representado pelo Secretário Municipal de Assistência Social de Palhoça, que por sua vez neste ato representa o Prefeito Municipal de Palhoça e a CÂMARA DE VEREADORES DE PALHOÇA, representada pelo Presidente da Câmara de Vereadores, têm entre si justo e acertado o seguinte:

CONSIDERANDO que a Constituição Federal, em seu art. 227, prevê que "é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão";

CONSIDERANDO que o Estatuto da Criança e do Adolescente assegura estes mesmos direitos;

CONSIDERANDO que a Carta Magna confere ao Ministério Público, a função de "zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia" (art. 129, II);

CONSIDERANDO, ainda, que o art. 210 do Estatuto da Criança e do Adolescente confere legitimidade ao Ministério Público para propor ações civis fundadas em interesses coletivos ou difusos, podendo "tomar dos interessados compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais, o qual terá eficácia de título executivo extrajudicial" (art. 211 da Lei n. 8.069/90);

CONSIDERANDO que é obrigação dos Municípios a efetivação das políticas públicas para atendimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade;

CONSIDERANDO a necessidade de adoção de medidas urgentes que visem preservar o interesse público e garantir o cumprimento da Constituição Federal e da legislação extravagante;

CONSIDERANDO que este Órgão de Execução do Ministério Público instaurou o Inquérito Civil n. 06.2014.00011829-6 para apurar eventuais irregularidades na tramitação da lei que promoverá a criação de vagas de educadores sociais para o 3º Abrigo Institucional de Palhoça/SC, que atualmente se encontra sob análise da Câmara de Vereadores;

CONSIDERANDO que o artigo 3º do Estatuto da Criança e do Adolescente descreve que a criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade;

CONSIDERANDO que o regime de acolhimento institucional (artigo 90, inciso IV, do Estatuto da Criança e do Adolescente) trata-se de medida protetiva a ser aplicada em caráter excepcional e temporário, nas hipóteses de grave violação de direitos em que a manutenção da criança e do adolescente no seio familiar natural ou extensa não seja possível;

CONSIDERANDO que atualmente existem no Município de Palhoça os Abrigos Institucionais Nova Direção e Pequeno Cidadão, sendo que o terceiro Abrigo Institucional foi implantado por meio do Inquérito Civil n. 06.2013.00006552-2 e está sendo fiscalizado no Procedimento Administrativo n. 09.2013.00000969-6;

CONSIDERANDO que por meio da Resolução Conjunta n. 1, de 18 de junho de 2009, do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), foi aprovado o documento denominado Orientações Técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes;

CONSIDERANDO que de acordo com o documento denominado Orientações Técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes o Abrigo Institucional tem a seguinte definição: "Serviço que oferece acolhimento provisório para crianças e adolescentes afastados do convívio familiar por meio de medida protetiva de abrigo (ECA, Art. 101), em função de abandono ou cujas famílias ou responsáveis encontrem-se temporariamente impossibilitados de cumprir sua função de cuidado e proteção, até que seja viabilizado o retorno  ao convívio com a família de origem ou, na sua impossibilidade, encaminhamento para família substituta";

CONSIDERANDO que o serviço deve ter aspecto semelhante ao de uma residência e estar inserido na comunidade, em áreas residenciais, oferecendo ambiente acolhedor e condições institucionais para o atendimento com padrões de dignidade. Deve ofertar atendimento personalizado e em pequenos grupos e favorecer o convívio familiar e comunitário das crianças e adolescentes atendidos, bem como a utilização dos equipamentos e serviços disponíveis na comunidade local;

CONSIDERANDO que a Secretaria de Assistência Social de Palhoça encaminhou solicitação para aprovação do Projeto de Lei n. 078/2014, o qual cria 20 (vinte) vagas de monitor para os Abrigos Institucionais de Palhoça;

CONSIDERANDO que o Projeto de Lei n. 078/2014 já está em tramitação da Câmara de Vereadores, já tendo sido encaminhado pelo Município de Palhoça;

CONSIDERANDO que a morosidade na tramitação do projeto de lei acima mencionado, sem qualquer justificativa e supostamente por questões políticas, configura, em tese, ato de improbidade administrativa (artigo 11, da Lei n. 8.429/92) e crime de prevaricação (artigo 319, do Código Penal);

CONSIDERANDO a necessidade de adoção de medidas que visem preservar o interesse público e garantir o cumprimento da Constituição Federal e da legislação extravagante, no escopo de salvaguardar as crianças e os adolescentes palhocenses;

CONSIDERANDO a necessidade de fazer cessar imediatamente o desrespeito à prioridade absoluta prevista em favor dos infantes palhocenses e que essa garantia de prioridade compreende preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;


RESOLVEM 

CELEBRAR TERMO DE COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA, com fulcro no art. 5°, parágrafo 6°, da Lei n. 7.347/85, mediante as seguintes cláusulas:

I – QUANTO AO COMPROMISSÁRIO CÂMARA DE VEREADORES DE PALHOÇA:

1 -  Providenciar, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, que seja colocado em segunda votação na Câmara Municipal o Projeto de Lei n. 078/2014, a fim de que sejam criados, com urgência, além de outros cargos, 20 (vinte) vagas de monitores para os Abrigos Institucionais de Palhoça; 

2 - Para o cumprimento do item acima, caso necessário, que seja convocada sessão extraordinária para votação do Projeto de Lei n. 078/2014;

3 - Divulgar o presente Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta, entregando cópias deste acordo extrajudicial a todos os vereadores, conscientizando os representantes do Legislativo sobre a importância do Projeto de Lei n. 078/2014, pois sua não votação e aprovação tem causado vários problemas com crianças e adolescentes vítimas de abusos sexuais, maus tratos e diversas outras formas de violência e que se encontram acolhidos institucionalmente, que não estão sendo atendidas de forma correta e digna no âmbito do município; 

4 - Apresentar ao Ministério Público (1ª Promotoria de Justiça de Palhoça) relatório detalhado sobre a tramitação e aprovação em caráter de urgência do Projeto de Lei n. 078/2014, no prazo de 05 (cinco) dias.


II – QUANTO AO COMPROMISSÁRIO MUNICÍPIO DE PALHOÇA:

1 -  Após a aprovação do Projeto de Lei n. 078/2014, providenciar o início dos trâmites de nomeação e posse dos novos monitores/educadores sociais, já aprovados em concurso público (prazo: imediatamente após a aprovação do Projeto de Lei n. 078/2014).

2 – Encaminhar ao Ministério Público documento que comprove o início dos trâmites de nomeação dos educadores sociais, no prazo de 5 (cinco) dias. 

II  – CONCORDÂNCIA DO CONSELHO MUNICIPAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE:

O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente concorda com as cláusulas e respectivos prazos deste termo de compromisso de ajustamento de conduta e se compromete a fiscalizá-lo.

III – QUANTO AO MINISTÉRIO PÚBLICO:

O Ministério Público se compromete a:

1. Não utilizar os instrumentos jurídicos previstos de cunho civil, contra o compromissário, no que diz respeito aos itens ajustados, caso estes sejam devidamente cumpridos;

2. Fiscalizar o cumprimento do presente Termo de Ajustamento de Conduta, inclusive procedendo a eventual execução deste;

3. No caso de apresentação de justificativa plausível por parte do Compromissário, como por exemplo a não aprovação da comissão que analisará o projeto de lei, o prazo para cumprimento deste termo poderá ser prorrogado, a critério do Ministério Público.

IV - QUANTO À MULTA E EXECUÇÃO:

O não cumprimento dos itens ajustados implicará na multa pecuniária no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a cada dia de descumprimento contra o Município de Palhoça, reajustado pelo INPC ou índice equivalente, a ser recolhido em favor do FUNDO MUNICIPAL DA INFÂNCIA E JUVENTUDE DE PALHOÇA (FIA), além da execução judicial das obrigações ora ajustadas.

V – QUANTO A VIGÊNCIA:

O prazo do presente Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta começará a contar a partir da sua aceitação.

VI -  QUANTO AO FORO:

Fica eleito o foro da Comarca de Palhoça para dirimir qualquer divergência quanto a este Termo.

E por estarem assim compromissados, firmam este Termo em 2 (duas) vias de igual teor, com eficácia de título executivo extrajudicial.

Todos os interessados foram cientificados neste ato sobre o arquivamento deste inquérito civil.

Palhoça, 12 de dezembro de 2014.

AURÉLIO GIACOMELLI DA SILVA                         
Promotor de Justiça

ADRIANO DA SILVA MATTOS
Secretário Municipal de Assistência Social, representando o Prefeito Municipal de Palhoça - Compromissário          

NIRDO ARTUR LUZ
Presidente da Câmara de Vereadores de Palhoça
Compromissário

MÁRIO CESAR HUGEN
Secretário Municipal de Governo 

ROSI MERI DA SILVA
Secretária Adjunta de Assistência Social

MARISTELA TRUPPEL
Coordenadora do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente

Prioridade absoluta para aprovação de projeto de lei que autoriza a celebração de convênio com o Município de Palhoça para repasse de verbas à APAE - Celebrado Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta



IC - Inquérito Civil n. 06.2014.00011849-6

TERMO DE COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA, por intermédio deste Órgão de Execução, representado pelo Promotor de Justiça Aurélio Giacomelli da Silva, o MUNICÍPIO DE PALHOÇA, representado pelo Secretário Municipal de Assistência Social de Palhoça, que neste ato por sua vez representa o Prefeito Municipal de Palhoça e a CÂMARA DE VEREADORES DE PALHOÇA, representada pelo Presidente da Câmara de Vereadores, têm entre si justo e acertado o seguinte:

CONSIDERANDO que é atribuição do Ministério Público a incumbência da defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (art. 127 da Constituição Federal);

CONSIDERANDO que é atribuição do Ministério Público a instauração de inquérito civil para a proteção dos interesses individuais, difusos ou coletivos relativos à infância e à adolescência;

CONSIDERANDO que a República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamento a dignidade da pessoa humana (art. 1º, inciso III, da Carta Magna);

CONSIDERANDO que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão (art. 227, caput, da Constituição Federal);

CONSIDERANDO que o artigo 3º do Estatuto da Criança e do Adolescente descreve que a criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade;

CONSIDERANDO que são linhas de ação da política de atendimento, previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, as políticas sociais básicas e as políticas e programas de assistência social, em caráter supletivo, para aqueles que deles necessitem (art. 87, incisos I e II, da Lei n. 8.0669/90);

CONSIDERANDO que se regem pelas disposições da Lei n. 8.069/90 (ECA) as ações de responsabilidade por ofensa aos direitos assegurados à criança e ao adolescente, referentes ao não oferecimento ou oferta irregular de serviço de assistência social visando à proteção à família, à maternidade, à infância e à adolescência, bem como ao amparo às crianças e adolescentes que dele necessitem (art. 208, inciso VI, do Estatuto da Criança e do Adolescente);

CONSIDERANDO que a APAE presta importantes serviços nas áreas de assistência social, saúde e educação para as crianças e adolescentes desta urbe;

CONSIDERANDO que a APAE possui como missão "promover e articular ações de defesa de direitos, orientações, prestação de serviços e apoio à pessoa com deficiência intelectual e sua família, voltados para a melhoria da qualidade de vida e à construção de uma sociedade inclusiva" (http://www.apaeflorianopolis.org.br/);

CONSIDERANDO que este Órgão de Execução do Ministério Público tomou conhecimento acerca da morosidade na tramitação de projeto de lei que autoriza o Poder Executivo Municipal a firmar convênio com a APAE de Palhoça, para repasse de verbas;

CONSIDERANDO que a morosidade na tramitação mencionada, sem justificativa e supostamente por questões políticas, configura, em tese, ato de improbidade administrativa (artigo 11, da Lei n. 8.429/92) e crime de prevaricação (artigo 319, do Código Penal); 

CONSIDERANDO a necessidade de adoção de medidas urgentes no escopo de viabilizar a aprovação do repasse da verba federal à APAE, bem como no intuito de possibilitar a continuidade de serviços essenciais que resguardam as crianças e os adolescentes palhocences;

CONSIDERANDO a necessidade de fazer cessar imediatamente o desrespeito à prioridade absoluta prevista em favor dos infantes palhocenses da APAE e que essa garantia de prioridade compreende preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;

RESOLVEM 

CELEBRAR TERMO DE COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA, com fulcro no art. 5°, parágrafo 6°, da Lei n. 7.347/85, mediante as seguintes cláusulas:

I – QUANTO AO COMPROMISSÁRIO CÂMARA DE VEREADORES DE PALHOÇA:

1 -  Providenciar, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, que seja colocado em segunda votação em caráter de urgência na Câmara Municipal o Projeto de Lei que autoriza o Poder Executivo Municipal a firmar convênio com a APAE de Palhoça, para repasse de verbas; 

2 - Para o cumprimento do item acima, caso necessário, que seja convocada sessão extraordinária para segunda votação do Projeto de Lei aludido;

3 - Divulgar o presente Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta, entregando cópias deste acordo extrajudicial a todos os vereadores, conscientizando os representantes do Legislativo sobre a importância do Projeto de Lei antes citado, pois sua não votação e aprovação tem causado vários problemas com crianças e adolescentes com necessidades especiais que freqüentam a APAE de Palhoça;  (prazo: cumprimento imediato);

4 - Apresentar ao Ministério Público (1ª Promotoria de Justiça de Palhoça) relatório detalhado sobre a tramitação e aprovação em caráter de urgência do Projeto de Lei que autoriza o Poder Executivo Municipal a firmar convênio com a APAE de Palhoça, para repasse de verbas, no prazo de 05 (cinco) dias.

I – QUANTO AO COMPROMISSÁRIO MUNICÍPIO DE PALHOÇA:

1 -  Após a aprovação do Projeto de Lei aqui citado , firmar convênio com a APAE de Palhoça, para repasse das verbas específicas (prazo: cumprimento imediato após a aprovação);

2 – Encaminhar ao Ministério Público documento que comprove o cumprimento do estabelecido no convênio e repasse integral das verbas necessárias à APAE (prazo: 5 dias). 

II  – CONCORDÂNCIA DO CONSELHO MUNICIPAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE:

O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente concorda com as cláusulas e respectivos prazos deste termo de compromisso de ajustamento de conduta e se compromete a fiscalizá-lo.

III – QUANTO AO MINISTÉRIO PÚBLICO:

O Ministério Público se compromete a:

1. Não utilizar os instrumentos jurídicos previstos de cunho civil, contra o compromissário, no que diz respeito aos itens ajustados, caso estes sejam devidamente cumpridos;

2. Fiscalizar o cumprimento do presente Termo de Ajustamento de Conduta, inclusive procedendo a eventual execução deste;

3. No caso de apresentação de justificativa plausível por parte do Compromissário, como por exemplo a não aprovação da comissão que analisará o projeto de lei, o prazo para cumprimento deste termo poderá ser prorrogado, a critério do Ministério Público.

IV - QUANTO À MULTA E EXECUÇÃO:

O não cumprimento dos itens ajustados implicará na multa pecuniária no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a cada dia de descumprimento contra o Município de Palhoça, reajustado pelo INPC ou índice equivalente, a ser recolhido em favor do FUNDO MUNICIPAL DA INFÂNCIA E JUVENTUDE DE PALHOÇA (FIA), além da execução judicial das obrigações ora ajustadas.

V – QUANTO A VIGÊNCIA:

O prazo do presente Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta começará a contar a partir da sua aceitação.

VI  QUANTO AO FORO:

Fica eleito o foro da Comarca de Palhoça para dirimir qualquer divergência quanto a este Termo.

E por estarem assim compromissados, firmam este Termo em 2 (duas) vias de igual teor, com eficácia de título executivo extrajudicial.

Todos os interessados foram cientificados neste ato sobre o arquivamento deste inquérito civil.

Palhoça, 12 de dezembro de 2014.

AURÉLIO GIACOMELLI DA SILVA                         
 Promotor de Justiça

ADRIANO DA SILVA MATTOS
Secretário Municipal de Assistência Social, representando o Prefeito Municipal de Palhoça - Compromissário          

NIRDO ARTUR LUZ
Presidente da Câmara de Vereadores de Palhoça
Compromissário

MÁRIO CESAR HUGEN
Secretário Municipal de Governo 

ROSI MERI DA SILVA
Secretária Adjunta de Assistência Social

MARISTELA TRUPPEL
Coordenadora do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente                
LEONITA MARIA DE OLIVEIRA
Presidente da APAE

GICELE TRUPPEL
Administradora da APAE

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Projetos de lei para repasse de verbas para a APAE e para criação de cargos de educadores sociais para o terceiro abrigo institucional de Palhoça - Demora na tramitação de tais projetos de lei na Câmara de Vereadores de Palhoça - Descumprimento do Princípio da Prioridade Absoluta em favor de crianças e adolescentes prevista na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente - Grave situação de vulnerabilidade de crianças e adolescentes que frequentam a APAE e que se encontram acolhidas institucionalmente pelo atraso na atuação da Câmara de Vereadores de Palhoça - Designada audiência para o dia 12 de janeiro de 2014, às 14:00 horas, para proposta de celebração de termos de ajustamento de conduta



IC - Inquérito Civil n. 06.2014.00011849-6

TERMO DE COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA, por intermédio deste Órgão de Execução, representado pelo Promotor de Justiça Aurélio Giacomelli da Silva, o MUNICÍPIO DE PALHOÇA, representado pelo Prefeito Municipal de Palhoça e pelo Procurador do Município de Palhoça e a CÂMARA DE VEREADORES DE PALHOÇA, representado pelo Presidente da Câmara de Vereadores, têm entre si justo e acertado o seguinte:

CONSIDERANDO que é atribuição do Ministério Público a incumbência da defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (art. 127 da Constituição Federal);

CONSIDERANDO que é atribuição do Ministério Público a instauração de inquérito civil para a proteção dos interesses individuais, difusos ou coletivos relativos à infância e à adolescência;

CONSIDERANDO que a República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamento a dignidade da pessoa humana (art. 1º, inciso III, da Carta Magna);

CONSIDERANDO que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão (art. 227, caput, da Constituição Federal);

CONSIDERANDO que o artigo 3º do Estatuto da Criança e do Adolescente descreve que a criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade;

CONSIDERANDO que são linhas de ação da política de atendimento, previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, as políticas sociais básicas e as políticas e programas de assistência social, em caráter supletivo, para aqueles que deles necessitem (art. 87, incisos I e II, da Lei n. 8.0669/90);

CONSIDERANDO que se regem pelas disposições da Lei n. 8.069/90 (ECA) as ações de responsabilidade por ofensa aos direitos assegurados à criança e ao adolescente, referentes ao não oferecimento ou oferta irregular de serviço de assistência social visando à proteção à família, à maternidade, à infância e à adolescência, bem como ao amparo às crianças e adolescentes que dele necessitem (art. 208, inciso VI, do Estatuto da Criança e do Adolescente);

CONSIDERANDO que a APAE presta importantes serviços nas áreas de assistência social, saúde e educação para as crianças e adolescentes desta urbe;

CONSIDERANDO que a APAE possui como missão "promover e articular ações de defesa de direitos, orientações, prestação de serviços e apoio à pessoa com deficiência intelectual e sua família, voltados para a melhoria da qualidade de vida e à construção de uma sociedade inclusiva" (http://www.apaeflorianopolis.org.br/);

CONSIDERANDO que este Órgão de Execução do Ministério Público tomou conhecimento, por meio da Certidão em anexo e do Ofício n. 487/SMAS/2014, oriundo da Secretaria Municipal de Assistência Social, acerca da morosidade na tramitação de projeto de lei que autoriza o Poder Executivo Municipal a firmar convênio com a APAE de Palhoça, para repasse de verbas;

CONSIDERANDO que a morosidade na tramitação mencionada, sem justificativa e supostamente por questões políticas, configura, em tese, ato de improbidade administrativa (artigo 11, da Lei n. 8.429/92) e crime de prevaricação (artigo 319, do Código Penal); 

CONSIDERANDO a necessidade de adoção de medidas urgentes no escopo de viabilizar a aprovação do repasse da verba federal à APAE, bem como no intuito de possibilitar a continuidade de serviços essenciais que resguardam as crianças e os adolescentes palhocences;

CONSIDERANDO a necessidade de fazer cessar imediatamente o desrespeito à prioridade absoluta prevista em favor dos infantes palhocenses da APAE e que essa garantia de prioridade compreende preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;

RESOLVEM 

CELEBRAR TERMO DE COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA, com fulcro no art. 5°, parágrafo 6°, da Lei n. 7.347/85, mediante as seguintes cláusulas:

I – QUANTO AO COMPROMISSÁRIO CÂMARA DE VEREADORES DE PALHOÇA:

1 -  Providenciar, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, que seja colocado em votação em caráter de urgência na Câmara Municipal o Projeto de Lei que autoriza o Poder Executivo Municipal a firmar convênio com a APAE de Palhoça, para repasse de verbas; 

2 - Para o cumprimento do item acima, caso necessário, que seja convocada sessão extraordinária também no prazo de 48 (quarenta e oito) horas para votação do Projeto de Lei aludido;

3 - Apresentar ao Ministério Público (1ª Promotoria de Justiça de Palhoça) relatório detalhado sobre a tramitação e aprovação em caráter de urgência do Projeto de Lei  que autoriza o Poder Executivo Municipal a firmar convênio com a APAE de Palhoça, para repasse de verbas, no prazo de 05 (cinco) dias;

4 - Divulgar o presente Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta, entregando cópias deste acordo extrajudicial a todos os vereadores, conscientizando os representantes do Legislativo sobre a importância do Projeto de Lei antes citado, pois sua não votação e aprovação tem causado vários problemas com crianças e adolescentes com necessidades especiais que frequentam a APAE de Palhoça;  (prazo: cumprimento imediato);

I – QUANTO AO COMPROMISSÁRIO MUNICÍPIO DE PALHOÇA:

1 -  Após a aprovação do Projeto de Lei aqui citado , firmar convênio com a APAE de Palhoça, para repasse de verbas (prazo: cumprimento imediato

2 – Encaminhar ao Ministério Público documento que comprove o o cumprimento do estabelecido no convênio e repasse integral das verbas necessárias à APAE.

II  – CONCORDÂNCIA DO CONSELHO MUNICIPAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE:

O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente concorda com as cláusulas e respectivos prazos deste termo de compromisso de ajustamento de conduta e se compromete a fiscalizá-lo.

III – QUANTO AO MINISTÉRIO PÚBLICO:

O Ministério Público se compromete a:

1. Não utilizar os instrumentos jurídicos previstos de cunho civil, contra o compromissário, no que diz respeito aos itens ajustados, caso estes sejam devidamente cumpridos;

2. Fiscalizar o cumprimento do presente Termo de Ajustamento de Conduta, inclusive procedendo a eventual execução deste;

3. No caso de apresentação de justificativa plausível por parte do Compromissário, o prazo para cumprimento deste termo poderá ser prorrogado, a critério do Ministério Público.

IV - QUANTO À MULTA E EXECUÇÃO:

O não cumprimento dos itens ajustados implicará na multa pecuniária no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a cada dia de descumprimento contra o Município de Palhoça, reajustado pelo INPC ou índice equivalente, a ser recolhido em favor do FUNDO MUNICIPAL DA INFÂNCIA E JUVENTUDE DE PALHOÇA (FIA), além da execução judicial das obrigações ora ajustadas.

V – QUANTO A VIGÊNCIA:

O prazo do presente Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta começará a contar a partir da sua aceitação.

VI  QUANTO AO FORO:

Fica eleito o foro da Comarca de Palhoça para dirimir qualquer divergência quanto a este Termo.

E por estarem assim compromissados, firmam este Termo em 2 (duas) vias de igual teor, com eficácia de título executivo extrajudicial.

Todos os interessados foram cientificados neste ato sobre o arquivamento deste inquérito civil.

Palhoça, 12 de dezembro de 2014.

  AURÉLIO GIACOMELLI DA SILVA                         
  Promotor de Justiça

 CAMILO NAZARENO MARTINS          
Prefeito Municipal de Palhoça

Procurador(a) do Município de Palhoça, representando o Procurador-Geral do Município
Compromissário

NIRDO ARTUR LUZ
Presidente da Câmara de Vereadores de Palhoça
Compromissário

ADRIANO DA SILVA MATtOS
Secretário Municipal de Assistência Social 

MARISTELA TRUPPEL
Coordenadora do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente             
LEONITA MARIA DE OLIVEIRA
Presidente da APAE
________________________________________________________________

IC - Inquérito Civil n. 06.2014.00011829-6

TERMO DE COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA, por intermédio do seu Órgão de Execução, representado pelo Promotor de Justiça Aurélio Giacomelli da Silva, o MUNICÍPIO DE PALHOÇA, representado pelo Prefeito Municipal de Palhoça e pelo Procurador-Geral do Município de Palhoça e a CÂMARA DE VEREADORES DE PALHOÇA, representada pelo Presidente da Câmara de Vereadores, têm entre si justo e acertado o seguinte:

CONSIDERANDO que a Constituição Federal, em seu art. 227, prevê que "é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão";

CONSIDERANDO que o Estatuto da Criança e do Adolescente assegura estes mesmos direitos;

CONSIDERANDO que a Carta Magna confere ao Ministério Público, a função de "zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia" (art. 129, II);

CONSIDERANDO, ainda, que o art. 210 do Estatuto da Criança e do Adolescente confere legitimidade ao Ministério Público para propor ações civis fundadas em interesses coletivos ou difusos, podendo "tomar dos interessados compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais, o qual terá eficácia de título executivo extrajudicial" (art. 211 da Lei n. 8.069/90);

CONSIDERANDO que é obrigação dos Municípios a efetivação das políticas públicas para atendimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade;

CONSIDERANDO a necessidade de adoção de medidas urgentes que visem preservar o interesse público e garantir o cumprimento da Constituição Federal e da legislação extravagante;

CONSIDERANDO que este Órgão de Execução do Ministério Público instaurou o Inquérito Civil n. 06.2014.00011829-6 para apurar eventuais irregularidades na tramitação da lei que promoverá a criação de vagas de educadores sociais para o 3º Abrigo Institucional de Palhoça/SC, que atualmente se encontra sob análise da Câmara de Vereadores;

CONSIDERANDO que o artigo 3º do Estatuto da Criança e do Adolescente descreve que a criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade;

CONSIDERANDO que o regime de acolhimento institucional (artigo 90, inciso IV, do Estatuto da Criança e do Adolescente) trata-se de medida protetiva a ser aplicada em caráter excepcional e temporário, nas hipóteses de grave violação de direitos em que a manutenção da criança e do adolescente no seio familiar natural ou extensa não seja possível;

CONSIDERANDO que atualmente existem no Município de Palhoça os Abrigos Institucionais Nova Direção e Pequeno Cidadão, sendo que o terceiro Abrigo Institucional foi implantado por meio do Inquérito Civil n. 06.2013.00006552-2 e está sendo fiscalizado no Procedimento Administrativo n. 09.2013.00000969-6;

CONSIDERANDO que por meio da Resolução Conjunta n. 1, de 18 de junho de 2009, do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), foi aprovado o documento denominado Orientações Técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes;

CONSIDERANDO que de acordo com o documento denominado Orientações Técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes o Abrigo Institucional tem a seguinte definição: "Serviço que oferece acolhimento provisório para crianças e adolescentes afastados do convívio familiar por meio de medida protetiva de abrigo (ECA, Art. 101), em função de abandono ou cujas famílias ou responsáveis encontrem-se temporariamente impossibilitados de cumprir sua função de cuidado e proteção, até que seja viabilizado o retorno  ao convívio com a família de origem ou, na sua impossibilidade, encaminhamento para família substituta";

CONSIDERANDO que o serviço deve ter aspecto semelhante ao de uma residência e estar inserido na comunidade, em áreas residenciais, oferecendo ambiente acolhedor e condições institucionais para o atendimento com padrões de dignidade. Deve ofertar atendimento personalizado e em pequenos grupos e favorecer o convívio familiar e comunitário das crianças e adolescentes atendidos, bem como a utilização dos equipamentos e serviços disponíveis na comunidade local;

CONSIDERANDO que a Secretaria de Assistência Social de Palhoça encaminhou solicitação para aprovação do Projeto de Lei n. 078/2014, o qual cria 20 (vinte) vagas de monitor para os Abrigos Institucionais de Palhoça;

CONSIDERANDO que o Projeto de Lei n. 078/2014 já está em tramitação da Câmara de Vereadores, já tendo sido encaminhado pelo Município de Palhoça;

CONSIDERANDO que a morosidade na tramitação do projeto de lei acima mencionado, sem qualquer justificativa e supostamente por questões políticas, configura, em tese, ato de improbidade administrativa (artigo 11, da Lei n. 8.429/92) e crime de prevaricação (artigo 319, do Código Penal);

CONSIDERANDO a necessidade de adoção de medidas que visem preservar o interesse público e garantir o cumprimento da Constituição Federal e da legislação extravagante, no escopo de salvaguardar as crianças e os adolescentes palhocenses;

CONSIDERANDO a necessidade de fazer cessar imediatamente o desrespeito à prioridade absoluta prevista em favor dos infantes palhocenses e que essa garantia de prioridade compreende preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;

RESOLVEM 

CELEBRAR TERMO DE COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA, com fulcro no art. 5°, parágrafo 6°, da Lei n. 7.347/85, mediante as seguintes cláusulas:

I – QUANTO AO COMPROMISSÁRIO CÂMARA DE VEREADORES DE PALHOÇA:

1 -  Providenciar, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, que seja colocado em votação na Câmara Municipal o Projeto de Lei n. 078/2014, a fim de que sejam criados, com urgência, além de outros cargos, 20 (vinte) vagas de monitores para os Abrigos Institucionais de Palhoça; 

2 - Para o cumprimento do item acima, caso necessário, que seja convocada sessão extraordinária também no prazo de 48 (quarenta e oito) horas para votação do Projeto de Lei n. 078/2014;

3 - Apresentar ao Ministério Público (1ª Promotoria de Justiça de Palhoça) relatório detalhado sobre a tramitação e aprovação em caráter de urgência do Projeto de Lei n. 078/2014, no prazo de 05 (cinco) dias;

4 - Divulgar o presente Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta, entregando cópias deste acordo extrajudicial a todos os vereadores, conscientizando os representantes do Legislativo sobre a importância do Projeto de Lei n. 078/2014, pois sua não votação e aprovação tem causado vários problemas com crianças e adolescentes vítimas de abusos sexuais, maus tratos e diversas outras formas de violência e que se encontram acolhidos institucionalmente, que não estão sendo atendidas de forma correta e digna no âmbito do município; 

5 - Conscientizar todos os vereadores sobre a importância da aprovação urgente do Projeto de Lei n. 078/2014, que terá reflexos imediatos no atendimento de crianças e adolescentes em situação de extrema vulnerabilidade no âmbito do Município de Palhoça (prazo: cumprimento imediato);

II – QUANTO AO COMPROMISSÁRIO MUNICÍPIO DE PALHOÇA:

1 -  Após a aprovação do Projeto de Lei n. 078/2014, providenciar a imediata nomeação e posse dos novos monitores/educadores sociais, já aprovados em concurso público (prazo: imediatamente após a aprovação do Projeto de Lei n. 078/2014).

2 – Encaminhar ao Ministério Público documento que comprove o início dos trâmites de nomeação dos educadores sociais, no prazo de 5 (cinco) dias. 

II  – CONCORDÂNCIA DO CONSELHO MUNICIPAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE:

O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente concorda com as cláusulas e respectivos prazos deste termo de compromisso de ajustamento de conduta e se compromete a fiscalizá-lo.

III – QUANTO AO MINISTÉRIO PÚBLICO:

O Ministério Público se compromete a:

1. Não utilizar os instrumentos jurídicos previstos de cunho civil, contra o compromissário, no que diz respeito aos itens ajustados, caso estes sejam devidamente cumpridos;

2. Fiscalizar o cumprimento do presente Termo de Ajustamento de Conduta, inclusive procedendo a eventual execução deste;

3. No caso de apresentação de justificativa plausível por parte do Compromissário, o prazo para cumprimento deste termo poderá ser prorrogado, a critério do Ministério Público.

IV - QUANTO À MULTA E EXECUÇÃO:

O não cumprimento dos itens ajustados implicará na multa pecuniária no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a cada dia de descumprimento contra o Município de Palhoça, reajustado pelo INPC ou índice equivalente, a ser recolhido em favor do FUNDO MUNICIPAL DA INFÂNCIA E JUVENTUDE DE PALHOÇA (FIA), além da execução judicial das obrigações ora ajustadas.

V – QUANTO A VIGÊNCIA:

O prazo do presente Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta começará a contar a partir da sua aceitação.

VI  QUANTO AO FORO:

Fica eleito o foro da Comarca de Palhoça para dirimir qualquer divergência quanto a este Termo.

E por estarem assim compromissados, firmam este Termo em 2 (duas) vias de igual teor, com eficácia de título executivo extrajudicial.

Todos os interessados foram cientificados neste ato sobre o arquivamento deste inquérito civil.

Palhoça, 12 de dezembro de 2014.

  AURÉLIO GIACOMELLI DA SILVA                         
   Promotor de Justiça

 CAMILO NAZARENO MARTINS          
Prefeito Municipal de Palhoça

Procurador(a) do Município de Palhoça, representando o Procurador-Geral do Município
Compromissário

NIRDO ARTUR LUZ
Presidente da Câmara de Vereadores de Palhoça
Compromissário

ADRIANO DA SILVA MATtOS
Secretário Municipal de Assistência Social 

MARISTELA TRUPPEL
Coordenadora do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Convocação, nomeação e posse de 20 professores de educação especial aprovados em concurso público de Palhoça - Celebrado Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta



IC - Inquérito Civil nº 06.2014.00007667-8

TERMO DE COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA, através deste Órgão de Execução, representado pelo Promotor de Justiça Aurélio Giacomelli da Silva; e o MUNICÍPIO DE PALHOÇA, pessoa jurídica de direito público, CNPJ n. 82.92.316/0001-08 (COMPROMISSÁRIO), representado neste ato pela Secretária Municipal de Educação Shirley Nobre Scharf, pela Procuradora do Município Simone Alves, têm entre si justo e acertado o seguinte:  

CONSIDERANDO que a Constituição Federal, em seu art. 227, caput, prevê que "é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão";

CONSIDERANDO que a Constituição de 1988 estabelece que o ensino será ministrado com base no princípio de "garantia de padrão de qualidade" (art. 206, inciso VII); 

CONSIDERANDO que o artigo 208 inciso III da Carta Magna determina que o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;

CONSIDERANDO que o § 2º deste mesmo dispositivo determina que o não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente.

CONSIDERANDO que o artigo 3º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. 9.394, de 20/12/1996) traz os seguintes princípios do ensino: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas; IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância; V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII - valorização do profissional da educação escolar; VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; IX - garantia de padrão de qualidade; X - valorização da experiência extra-escolar; XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. XII - consideração com a diversidade étnico-racial (grifo nosso);

CONSIDERANDO que o artigo 4º inciso III desta mesma legislação dispõe que o dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de  atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino;

CONSIDERANDO que o  acesso à educação básica obrigatória é direito público subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída e, ainda, o Ministério Público, acionar o poder público para exigi-lo (artigo 5º da lei de Diretrizes e Bases da Educação);

CONSIDERANDO que o artigo 58 da lei em comento determina que  a educação especial é a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação;

CONSIDERANDO que a oferta de educação especial é dever constitucional do Estado;

CONSIDERANDO que o artigo 59 da lei antes citada determina que os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação:  I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades; II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; III - professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; IV - educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora; V - acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.

CONSIDERANDO que os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos (artigo 67 inciso I da Lei n. 9.394, de 20/12/1996);

 CONSIDERANDO que o artigo 37, caput, da Constituição Federal determina que a administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. 

  CONSIDERANDO que quanto à investidura em cargos, empregos e funções públicas, o artigo 37, incisos II e IX, da Constituição Federal dispõe que:

 (...) II – a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; ” 
“ Art. 37.
(...) IX – a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público; ”

CONSIDERANDO que o Doutrinador Hely Lopes Meirelles assim se manifestou com relação aos concursos:

“A obrigatoriedade de concurso público, ressalvados os cargos em comissão e empregos com essa natureza, refere-se à investidura em cargo ou emprego público, isto é, ao ingresso em cargo ou emprego isolado ou em cargo ou emprego público inicial da carreira na Administração direta e indireta. O concurso é o meio técnico posto à disposição da Administração Pública para obter-se moralidade, eficiência e aperfeiçoamento do serviço público e, ao mesmo tempo, propiciar igual oportunidade a todos os interessados que atendam aos requisitos da lei, fixados de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, consoante determina o artigo 37, II da CF. Pelo concurso afastam-se, pois, os ineptos e os apaniguados que costumam abarrotar as repartições, num espetáculo degradante de protecionismo e falta de escrúpulos de  políticos que se alçam no poder leiloando cargos e empregos públicos”. 

CONSIDERANDO que “[...] concurso é o meio técnico posto à disposição da Administração Pública para obter-se moralidade, eficiência e aperfeiçoamento do serviço público e, ao mesmo tempo, propiciar igual oportunidade a todos os interessados que atendam aos requisitos da lei, fixados de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, consoante determina o artigo 37, II da CF. Pelo concurso afastam-se, pois, os ineptos e os apaniguados que costumam abarrotar as repartições, num espetáculo degradante de protecionismo e falta de escrúpulos de  políticos que se alçam no poder leiloando cargos e empregos públicos”1:  

CONSIDERANDO que as normas e princípios pertinentes à organização jurídica dos servidores públicos encontram-se dispostos na Constituição Federal de 1988, mais especificamente no Capítulo VII (“Da Administração Pública”), do Título III (“Da Organização do Estado”). Tais disposições se constituem como verdadeiras normas gerais de observância obrigatória pelas entidades estatais, autárquicas e fundacionais públicas, em todos os níveis de governo. As normas constitucionais que versam sobre o funcionalismo público têm como escopo a busca da proteção dos interesses e garantias dos servidores, assegurando ao Estado os meios para realizar uma boa administração, atendendo aos critérios de eficiência, moralidade e aperfeiçoamento, exigidos expressamente na atual Carta Magna.

CONSIDERANDO que quanto a isto, o Supremo Tribunal federal já decidiu:

“A acessibilidade aos cargos públicos a todos os brasileiros, nos termos da Lei e mediante concurso público é princípio constitucional explícito, desde 1934, art. 168. Embora cronicamente sofismado, mercê de expedientes destinados a iludir a regra, não só foi reafirmado pela Constituição, como ampliado, para alcançar os empregos públicos, art. 37, I e II. Pela vigente ordem constitucional, em regra, o acesso aos empregos públicos opera-se mediante concurso público, que pode não ser de igual conteúdo, mas há de ser público. As autarquias, empresas públicas ou sociedades de economia mista estão sujeitas à regra, que envolve a administração direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Sociedade de economia mista destinada a explorar atividade econômica está igualmente sujeita a esse princípio, que não colide com o expresso no art. 173, § 1o . Exceções ao princípio, se existem, estão na própria Constituição”1      


CONSIDERANDO que a frustração da licitude de concurso público pode se caracterizar como ato de improbidade administrativa, conforme descrito no artigo 11 inciso V da Lei n° 8.429/92, que assim dispõe:

“Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições, e notadamente :
(...)
V – frustrar a licitude de concurso público.

CONSIDERANDO que este Órgão de Execução do Ministério Público instaurou o Inquérito Civil n. 06.2014.00007667-8 para apurar irregularidades em razão do não chamamento de professores de educação especial após a realização de concurso público e da falta de qualificação técnica dos professores de educação especial contratados temporariamente que exercem suas respectivas atribuições na rede pública de ensino.

CONSIDERANDO que durante a instrução do feito referido, se constatou que: 1) no mês de março de 2013 foi homologado o concurso público para preenchimento de vagas para professor de educação especial no âmbito do Município de Palhoça; 2) de acordo com a listagem de fl. 07, foram aprovados 47 professores de educação especial no certame aludido; 3) no dia 08 de agosto de 2014, foi chamada a primeira colocada para o cargo de professor de educação especial (Juliana Pereira), havendo a informação de que os demais classificados serão chamados "gradativamente", mas não se informou qualquer previsão; 4) no Município de Palhoça há atualmente 23 professores de educação especial efetivos, com a devida habilitação e/ou especialização; 5) atualmente o número de profissionais efetivos não é suficiente para atender a demanda do Município; 6) para suprir a necessidade referida no item anterior, estão sendo realizados processos seletivos para contratação temporária de ACTs, ao invés de serem nomeados os aprovados em concurso público; 7) estão sendo contratados temporariamente professores sem a devida habilitação em educação especial, o que acarreta grave prejuízo à educação das crianças e adolescentes; 8) é injustificável o não chamamento dos aprovados no concurso público para professor de educação especial, cuja habilitação/especialização necessária por óbvio já foi requisito para a própria participação no certame; 9) há 80 contratados temporários exercendo as funções de professores de educação especial de forma ilegal, diante da necessidade de preenchimento das vagas por concurso público; 10) dos profissionais admitidos em caráter temporário apenas 8 possuem habilitação e/ou especialização na área de educação especial, 30 possuem graduação sem habilitação e 42 têm formação de nível médio; 11) atualmente há 181 crianças e adolescentes que necessitam de educação especial no âmbito da rede pública de ensino de Palhoça;

CONSIDERANDO que em razão desses fatos e dos dispositivos legais antes mencionados urgentes medidas devem ser adotadas para que tais irregularidades sejam sanadas;

CONSIDERANDO que a Secretária Municipal de Educação informou nesta data que já foram convocados os seguintes candidatos do Concurso Público: 20 aprovados para  Educação Especial, 73 aprovados para Educação Infantil, 14 orientadores, 08 assistentes técnicos pedagógicos, 04 assistentes de educação, 01 professor de música, 01 professor de informática, 01 professor de educação física, 01 professor de ensino religioso, 04 professores de artes, 02 professores de inglês, 02 professores de geografia, 02 professores de história, 02 professores de matemática, 02 professores de português, 02 professores de ciências e dois bibliotecários.

CONSIDERANDO que a Secretária Municipal de Educação e a Coordenadora de Educação Especial atestaram nesta data que se efetuarem a nomeação de 20 (vinte) aprovados no Concurso Público para Educação Especial, será suprida, por ora, a carência de professores de educação especial;

CONSIDERANDO que no próximo ano exercerão as funções de professor de educação especial no total 42 efetivos e uma projeção de 30 contratados temporários por processo seletivo, sendo 18 vagas vinculadas (substitutos dos efetivos/concursados nos casos de licenças/férias) e 12 vagas excedentes, que serão devidamente reanalisadas no ano que vem; 

RESOLVEM

Celebrar TERMO DE COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA, com fulcro no artigo 5°, parágrafo 6° da Lei n° 7.347/85, de 24 de julho de 1.985, mediante as seguintes cláusulas:

I - QUANTO AO COMPROMISSÁRIO MUNICÍPIO DE PALHOÇA

1 – Nomear e dar posse, de acordo com a ordem de classificação, dos 19 primeiros colocados e do candidato deficiente referente à vaga reservada (46a. Colocação) do Concurso Público – Edital n. 02/2012, para o cargo de Professor de Educação Especial, quantidade esta de professores que por ora poderão atender a demanda existente no Município de Palhoça (prazo: 120 dias);

2 – Informar ao Ministério Público (1ª Promotoria de Justiça de Palhoça) se as nomeações referidas no item anterior serão efetivamente suficientes para atendimento integral das crianças e adolescentes que necessitam de professores de educação especial (prazo: 150 dias);

3 – Caso as nomeações citadas nos itens anteriores, por meio de concurso público para professor de educação especial, não sejam suficientes para atendimento especializado de todas as crianças e adolescentes da rede pública de ensino, nomear e dar posse, de acordo com a ordem de classificação, para aprovados no Concurso Público – Edital n. 02/2012 ou abrir novo concurso público de acordo com a legislação vigente, para preenchimento de mais vagas para professor de educação especial do Município de Palhoça;

4 – Para continuidade do serviço público em tão relevante área, para que não seja interrompido o atendimento especializado de crianças e adolescentes na educação, até que as nomeações necessárias do Concurso Público Edital n. 02/2012 continuem a ser realizadas ou que o novo certame, referido no item anterior, seja eventualmente realizado e finalizado, manter excepcionalmente contratados temporários (ACTs), por meio de realização prévia de processo seletivo, para a função de professor de educação especial, desde que com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns. 

II – MANIFESTAÇÃO DO CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

As representantes do Conselho Municipal de Educação concordam com as cláusulas deste Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta e informam que este acordo vem ao encontro dos interesses das crianças e adolescentes de Palhoça, com relação à educação especial. 

III – QUANTO AO MINISTÉRIO PÚBLICO:

O Ministério Público se compromete a:

1 - Não utilizar os instrumentos jurídicos previstos de cunho civil, contra os compromissários, no que diz respeito aos itens ajustados, caso estes sejam devidamente cumpridos;

2 - Fiscalizar o cumprimento do presente Termo de Ajustamento de Conduta, inclusive procedendo a eventual execução do mesmo;

3 - No caso de apresentação de justificativa plausível por parte do Compromissário, o prazo para cumprimento deste termo poderá ser prorrogado, a critério do Ministério Público.

IV  QUANTO À MULTA E EXECUÇÃO

O não cumprimento dos itens ajustados implicará na multa pecuniária no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) a cada mês de descumprimento, reajustado pelo INPC ou índice equivalente, a ser recolhido em favor do FUNDO MUNICIPAL DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA DE PALHOÇA (FIA) além da execução judicial das obrigações ora ajustadas.

V  QUANTO A VIGÊNCIA 

Os prazos do presente Termo de Ajustamento de Conduta começarão a contar a partir desta data.

VI  QUANTO AO FORO

Fica eleito o foro da comarca de Palhoça, para dirimir qualquer divergência quanto a este termo.

E por estarem assim compromissados, firmam este TERMO em 2 (duas) vias de igual teor, com eficácia de título executivo extrajudicial.

Palhoça, 10 de dezembro de 2014.

AURÉLIO GIACOMELLI DA SILVA                         
 Promotor de Justiça          

SIMONE ALVES
Procuradora do Município de Palhoça, representando o Procurador-Geral do Município

SHIRLEY NOBRE SCHARF
Secretária de Educação e Cultura – Compromissária, representando o Prefeito Municipal de Palhoça

DEVANE MOURA GRIMAUTH
Conselho Municipal de Educação – COMED DE PALHOÇA

RENATA JAQUELINE  MARTINS
Conselho Municipal de Educação – COMED DE PALHOÇA

LUCIANE MARQUES NUNES
Coordenadora de Educação ESpecial

RAFAELA MARIA FREITAS
Coordenadora da Educação Fundamental